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Vida com significado

Atualizado: 23 de set. de 2024

Como você acorda todos os dias? Motivado, disposto e alegre por ter mais um dia de vida? Ou acorda cansado, seguindo no piloto automático, como se corresse numa roda de ramster?

"Não é possível que a vida seja nascer, crescer, trabalhar, pagar contas e morrer." Muitas vezes, Ana pensava sobre isso. Sempre teve bons empregos, salários suficientes para estudar, ajudar a família e ir aos poucos construindo uma estrutura “material” que lhe parecia ser uma vida confortável. Apesar disto, Ana se dava conta de que antes ela já havia sido mais sonhadora, daquelas que se imaginava viver como num daqueles tradicionais comerciais de margarina, numa família feliz e com tempo livre, tomando café da manhã no jardim, com belas flores, pets correndo alegres... Mas, com o passar dos anos, foi seguindo com seu trabalho e suas rotinas. E não que não gostasse de sua vida em si, mas lhe parecia faltar alguma coisa... Em alguns momentos, mesmo diante de salário, reconhecimento e conquistas materiais, Ana se sentia vazia, distante de algo que de fato faria sua alma vibrar...

Muitas pessoas, assim como a personagem Ana, se sentem um pouco perdidas ou vazias, mesmo tendo uma vida materialmente estável. Essa é uma questão profunda e importante que todos enfrentamos em algum momento.

“Cada vez mais, as pessoas têm os meios para viver, mas não tem uma razão pela qual viver". Frankl, Viktor.

Durante a segunda guerra mundial, o psiquiatra e neurologista austríaco Viktor Frankl foi preso nos campos de concentração nazistas. Antes disto, ele já estava trabalhando em sua teoria, a Logoterapia, e havia escrito a primeira obra sobre o assunto. No entanto, foi na ocasião de sua prisão dentro dos quatro campos nazistas pelos quais passou que ele de fato pôde validar os pressupostos de sua teoria logoterapêutica, em experienciação de seu próprio método. Frankl foi libertado em 1945, pesando apenas 25 quilos, e com a notícia da morte de sua mãe, irmão e esposa, que sucumbiram em outros campos.

A extensão dessas tragédias não foi suficiente para abater Viktor Frankl; antes, foi o que ele chamou de experimentum crucis, que o auxiliou a comprovar a validade de suas teorias psicoterapêuticas. No seu livro “Man’s search for Meaning”, no qual descreve sua experiência nos campos, ele dizia que quem tem um “porquê” enfrenta qualquer “como”. Para ele, o que permitia que muitos sobrevivessem às condições extremas e degradantes dos campos de concentração não estava diretamente relacionado à condição física. Não eram os mais fortes que sobreviviam, mas os que conseguiam encontrar algum sentido em resistir diante daquele sofrimento: “Nada proporciona melhor capacidade de superação e resistência aos problemas e dificuldades em geral do que a consciência de ter uma missão a cumprir na vida.” Ele observou que as pessoas que possuíam um propósito em sua vida como alguém por quem lutar, um trabalho importante a continuar, algo pelo qual manter-se vivo, mesmo naquelas circunstâncias eram os mais resistentes aos maus-tratos e mais dispostos a superar aquele período, em comparação às pessoas que não tinham um propósito.

“Tudo pode ser tirado de uma pessoa, exceto uma coisa: a liberdade de escolher sua atitude em qualquer circunstância da vida.” Frankl demonstrou que aquilo que dá sentido e motivação à vida não está diretamente ligado às condições externas, mas sim à nossa capacidade de encontrar um propósito, uma missão. Essa busca interna é fundamental para vivermos com mais plenitude e resiliência, mesmo diante de adversidades.



Autotranscendência

Explicitando o que é a autotranscendência, diz Frankl: “A essência da existência humana, diria eu, radica na sua autotranscendência. Ser homem significa, por si e sempre, dirigir-se e ordenar-se a algo ou a alguém: entregar-se o homem a uma obra a que se dedica, a alguém que ama, ou a Deus, a quem serve”.

“Se percebemos que a vida realmente tem um sentido, percebemos também que somos úteis uns aos outros. Ser um ser humano é trabalhar por algo além de si mesmo.”

É cada vez mais comprovado cientificamente que buscar conhecer e entender seu propósito ou missão melhora significativamente o nível de motivação e engajamento não somente no trabalho, mas na vida pessoal também. As pessoas vivem com mais saúde e energia.

Parece algo abstrato? Como fazer isto?

Ana buscou aprofundar-se em observação das coisas que mais gostava de fazer, como se sentiria realizada sendo útil e reconhecida diante das pessoas e nos ambientes do seu convívio. Analisou em sua terapia sobre o que era mais importante em sua escala de valores e foi aos poucos juntando as peças, linkando-as de modo coerente e significativo para si. Ana sempre gostou de idosos e recordou o quanto queria ser médica geriatra. Identificou que ao longo de sua trajetória acabou fazendo outras escolhas de carreira e decidiu que não queria começar novamente, mas que este gosto pessoal poderia ser introduzido em sua rotina como um hobbie, passando a atuar como voluntária em uma casa de repouso. Isso pouco a pouco foi deixando-a mais feliz, motivada, dando um sentido de utilidade e valor, trazendo cor e realização pessoal para os seus dias.

A jornada de autorreflexão da personagem Ana é muito construtivo. Explorar aquilo que realmente importa para nós, nossos valores, paixões e o modo como podemos contribuir, é um caminho poderoso para encontrarmos um propósito significativo. Não se trata de algo raso ou superficial, mas de um processo de autoconhecimento e conexão com nossa essência.

Sua missão não é a sua empresa. Também não é o seu trabalho. Ela vai com você para onde você for, independente do contexto. É a sua essência. Algo que faz sentido para você, que brilha em seus olhos e que faz vibrar sua alma e seu coração. Sua missão é o que lhe move, é seu combustível diário. É o porque, é o para que você segue em frente. Ter uma noção clara do que nos move é um norte importante para orientar nossas escolhas e ações no dia a dia. Aprofunde-se nessa jornada de autoconhecimento e exploração de seu propósito.

Lembre-se também de que nosso propósito nem sempre é algo fixo e definitivo. Ele pode evoluir à medida que nos conhecemos melhor e nossa vida se transforma. O importante é manter essa busca viva, com abertura e curiosidade.

Minha missão é servir, com ética, amor e respeito, contribuindo para o desenvolvimento das pessoas, mental, emocional e espiritualmente.

E para você, o que faz sentido?


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